sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ainda lá, onde mora o capeta: detalhes

Uma coisa que me ensinaram na primeira viagem à Europa: o lixo de banheiro vai pra privada. O cesto de lixo é pra absorventes, tubos de pasta de dentes, cotonetes, plásticos etc. O que você usa vai embora com a descarga. Não é libertador, isso? Eu adoro. Ok, eu sei que a maioria das pessoas que moram em prédios modernos tem encanamento com descarga forte o suficiente pra jogar sua sujeira no ralo. Mas eu moro em casa, a gente mal tem pressão pra um bom banho. Se jogar papel higiênico na privada, ela entope. Então o primeiro susto de terceiro mundo que a gente tem ao voltar ao Brasil é entrar num dos (imundos) banheiros de aeroportos (no meu caso, Galeão, sempre) e topar com aqueles cestos gigantes de lixo de bunda transbordando, quase encostando em você. É, que nojo, eu sei. Prova de que na maior parte do nosso país a cultura é de ter lixo de banheiro, mesmo.

Isso me remete, rapidamente, à discussão da sacolinha plástica que foi proibida em mercados de São Paulo. Nos países que visitei, elas são cobradas - bem baratinho - e o cliente tem que pedir. Mas como vamos fazer com o lixo do banheiro? Tem que comprar saco de lixo pequeno pro banheiro. Porque nossas privadas entopem. Afe.

Aí tem o outro lado: como tem pouco banheiro público em locais de alta circulação, na Europa! Claro, existem banheiros públicos, nas principais ruas - não os usei mas são baratinhos também, e dizem que muito limpos. Mas vc está num super museu ou num shopping gigantesco e precisa enfrentar fila pra fazer um xixizinho porque só tem um banheiro com 8 portinhas. Fila de 15 minutos, eu peguei. Quase fiz xixi nas calças. Metrô, nem se fala. Por isso acabei tomando menos líquidos do que deveria. Água, quero dizer.



Vá ao banheiro antes de enfrentar o Louvre!

Enquanto isso...

Estou organizando um álbum de museus no Flickr, chega lá.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tá difícil

Duas mil e duzentas e sete fotos. Malditas câmeras digitais. Mas são fotos feitas por quatro pessoas, então relevem, não sou tão louca - fiz só umas quinhentas. Estou organizando e já volto, ainda hoje.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pra começar

Voltei de quase vinte dias de viagem e sim, farei daqueles posts gigantes e cheios de obviedades, então vem comigo pra gente rir juntos. Mas pra começar, devo narrar um pouco da viagem de ida, Curitiba-Rio, a bordo de avião da famosa empresa aérea brasileira a qual chamaremos aqui de TUM (olha a responsabilidade jurídica). Eu estava indo ao encontro do Mr. Lopes, que já estava há um mês em Paris, fazendo seu curso de línguas, entre outras obrigações (controle de qualidade de vinhos nacionais, por exemplo), com mais dois amigos. Atrás de mim, executivo conversa com sua sócia sobre outro sócio, avaliando todas as ações da empresa e dos funcionários como "show de bola".

Amigo 1 - Esse avião tá fedendo.
Amigo 2 - Fedendo queimado.
Eu - Será o lanche?

[ Segue a viagem, o cheiro de queimado piora, mas o comandante anuncia o início da descida. De repente, as luzes do avião se apagam, completamente: até as das asas. Aeromoças, desesperadas, correm até a frente, mexem no painel, que passa a ser a única luz na escuridão da noite. Feito isso, elas se prendem aos cintos de segurança, sem falar nada. Climão pesado no avião, passageiros mal respiram. "Show de bola" cala a boca.] 

Amigo 1 - Gente, e agora, esse avião vai ficar assim?
Amigo 2 - Acho que a gente vai cair.
Eu - Calma, o avião nem tá caindo, tá planando, o comandante ainda deve ter controle.

[ Passam-se cerca de 20 minutos e nada de alguém falar alguma coisa. O cheiro de queimado diminui um pouco mas as luzes continuam apagadas ] 

Amigo 1 - Esse cheiro tá insuportável.
Amigo 2 - Isso não vai fazer bem pra quem tem rinite.
Eu - Bem, se o avião cair, não vai fazer bem pra quem não tem rinite também.

[ Crise histérica de riso. Os amigos rezam, por dentro. Eu só consigo pensar "tadinha da Nina, ficar órfã, que droga" ] 

Amigo 1 - Bem, pelo menos nossa morte vai ser notícia. Vão mostrar nossas fotos nos jornais, amanhã.
Eu - Vão dar a notícia no twitter logo em seguida, isso sim.

[ Quarenta minutos depois de terem apagado, aproximadamente (não dava pra ver o relógio) as luzes - só as  de emergência - acendem. As aeromoças não se mexem. Ninguém fala nada, só cochicha. ]

Amigo 2 - Vocês repararam que só as luzes de emergência acenderam? 
Amigo 1 - Ai, eu devia ter lido aquele manual de pouso de emergência.

[O avião começa a descer. Faz um pouso meio torto. Pára. ] 

Amigo 1 (olhando pela janela) - Pô, não tem nem ambulância esperando o pouso.

[Portas se abrem, entram correndo na cabine do piloto dois funcionários da TUM, daqueles das áreas técnicas, de maletas e equipamentos à mão. Aeromoças somem, não se despedem dos passageiros, que saem em silêncio e rapidamente. Outros funcionários aguardam do lado de fora do avião. Silêncio. Alívio de sair. ] 


Chegamos sãos e salvos, confiando que depois dessa, a travessia do Atlântico seria tranquila. E foi.