Não sei como chamar essa atitude - ou melhor, não-atitude - que pensei em comentar. O gancho é uma cena de Os Sopranos, a melhor série séria de todos os tempos. A terapeuta do mafioso Tony Soprano foi vítima de um homem violento (isso é quase um spoiler mas pô, a série acabou há uns 4 anos, vai ver logo se já não viu) e tornou a encontrar-se com ele. Porém, ela não podia fazer nada para evitar essa proximidade, pois não havia mais medida judicial a ser tomada.
É uma cena muito bacana. A terapeuta está tremendamente incomodada com a existência do fulano, ainda mais assim, perto de si, à vista, à luz do dia. O fato de ele estar vivendo bem, então, era uma afronta. Ela não merecia aquilo. Ele não merecia estar vivo e bem. Aí o Tony, vendo que ela estava perturbada com algo, se oferece para fazer qualquer coisa por ela. Ela é terapeuta do mafioso, veja bem. Ela sabe qual é o trabalho dele e de como ele se livrava das pessoas que o prejudicavam. E ela gostaria muito de agir daquela forma também. Bastava falar para o Tony: "preciso que você se livre de uma pessoa por mim". E pronto. O agressor não viveria mais meia hora depois que Tony saísse do consultório.
Mas ela respira fundo e diz que não, ela só está tendo um dia difícil, não precisa de nada dele.
Que virtude é essa? Você saber que pode sacanear, prejudicar, ferrar com alguém - mereça ou não - e simplesmente deixar passar?
Que virtude é essa? Você saber que pode sacanear, prejudicar, ferrar com alguém - mereça ou não - e simplesmente deixar passar?




