sábado, 7 de julho de 2012

Entre Dois Clássicos

Estou entre ler Moby Dick ou Devaneios de Um Caminhante Solitário, aquele livrinho sobre o qual eu já assisti mais palestras que muito estudante de filosofia por aí.O primeiro é ideia plantada pela Fal, em seu livro, tal qual a Rita conta em seu blog. O segundo é ideia fixa e constantemente adiada, principalmente pela beleza de seu primeiro parágrafo.

"Eis-me, portanto, sozinho sobre a terra, sem outro irmão, próximo, amigo ou companhia que a mim mesmo. O mais sociável e o mais afetuoso dos humanos dela foi proscrito por um acordo unânime. Buscaram nas sutilezas de seus ódios que tormento poderia ser mais cruel para minha alma sensível e romperam com violência todos os laços que me ligavam a eles. Teria amado os homens apesar deles mesmos. Ao cessarem de sê-lo, só puderam privar-se de minha afeição. Agora, portanto, são para mim estranhos, desconhecidos, por fim....insignificantes, pois assim o quiseram. Mas e eu mesmo, afastado deles e de tudo, o que sou? Eis o que me resta buscar. Por infelicidade, essa busca deve ser precedida de um exame sobre minha condição; É algo por que necessito passar para chegar deles a mim."

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pró-atividade solidária

Ontem decidi ser pró-ativa (risos) e resolvi mil coisas na hora do almoço. Entreguei os livros sobre cerveja do frila que não faço mais, fechei uma conta no banco, peguei resultados de exames. Ok, parece pouco, é pouco, ah, me deixa. Enfim. Estava indo correndinho pro meu carro antes que o EstAr vencesse e a periquita surgisse de bloco de multas em mãos (elas saem de dentro dos bueiros, parece), e passei por um casal, na calçada, em plena DR. 

A moça chorava e o rapaz argumentava, normal, até que quando passei bem ao lado ele falou mais alto e com bastante veemência algo como - "Agora chega - PENSA". E a postura dele mudou: cresceu pra cima da moça, estufando o peito contra o seu rosto, cerrando os punhos. 

Eu me assustei e também mudei minha postura. Não falei nada mas passei a andar muito devagar, a quase zero por hora, olhando fixamente para a menina. Não para o homem. Ele percebeu e se afastou dela. Continuei olhando para trás e me afastando devagar. Ela chorava e olhava para baixo. Cheguei até meu carro, entrei e percebi: assim que eu saí da visão deles, o cara voltou a ter a postura agressiva. Ok, certo, ele podia ter sido agressivo comigo também. E faz tempo que parei de correr, preciso me exercitar, o rapaz era tatuado e forte, eu sei que podia estar procurando encrenca. Ou ambos podiam me xingar tipo "sai intrometida". Dou de ombros. Apesar do meu trauma recente de briga na rua, há tempos decidi que nunca mais vou me abster ao perceber alguma possibilidade de violência contra a mulher. Acho que deixei clara minha solidariedade. Pensei até em chamá-la para o carro, caso houvesse alguma agressão.

Não é o único motivo para esta disposição em ser pró-ativa (risos, de novo) nesse tipo de situação, mas lembro a única empregada, mensalista, que tivemos. Um dia ela me liga chorando que não podia ir trabalhar naquela semana por dois motivos: estava muito dolorida e com muita vergonha para sair de casa. Tinha os dois olhos e as pernas roxas. O desgraçado do ex-marido a tinha surpreendido em plena rua ao descer do ônibus, chegando do trabalho. Ele queria voltar pra ela, ela não queria, e ele a acusava de ter um outro homem. E sim, era o salário que pagávamos - um tantinho mais que o mínimo, com registro certinho, vale-transporte - como empregada, que a permitia morar sozinha com a filha, estudar no supletivo do bairro, à noite. Mal ou bem, era independente e isso enlouquecia o ex. A sorte dela naquele fim de dia foi que uma dupla de policiais atravessou no seu caminho. Ela me contou rindo, dias depois, quando o preto dos olhos já estava esverdeado, que os policiais o chutaram da mesma forma como ele fez com ela (era uma menina muito bonita e querida, espero que esteja bem: trocou o trabalho doméstico por uma fábrica). Mas naquele dia, enquanto ela apanhava, a rua se esvaziou e não apareceu ninguém, além da providencial ronda, para ajudá-la. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

É hoje



Acordei nervosinha. Vesti uma saia (tá quente, veranico, um evento que se repete a cada 3 mil anos) preta, minha única blusa preto e branco - listrada - e coloquei meu brinco de bolas prateadas. É meu uniforme corporativo de torcedora da Gaviões.

Daí quando entrei no FB dei de cara com esse texto aqui, de um não-corinthiano, o professor Carlos Emílio Faraco, um amigo de twitter (é arrogância chamar de amigo, eu o observo, leio, admiro, e ele é educado comigo). Imperdível, eu tinha que compartilhar por aqui também.


SALVEM OS NÃO CORINTIANOS

A PAIXÃO
Paixão:
sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa. [...] Do Dicionário Hoauiss.

É isso aí acima que os corintianos sentem pelo seu time. Talvez com algum ingrediente indefinível que torna esta uma paixão particular, algo que a distingue da paixão pelo/a companheiro/a, pela arte, pela cerveja, pela política, por pescaria, pela vida...
De forma que é mister criar uma expressão para definir esse sentimento particular: “paixão corintiana”, como se fosse um substantivo composto, com dois elementos inseparáveis quando se quer definir esse tipo específico de sentimento dos corintianos pelo seu time.
Os sujeitos dessa paixão: milhões de pessoas de todas os matizes, perfis, vivências.
O objeto dessa paixão: um time de futebol e tudo que o cerca.
Os sujeitos, os apaixonados, entram em equalização num único ritmo quando se trata do time.
Todos priorizando um time – que nunca é só “Corinthians”, mas é acompanhado dos mais diversos adjetivos, por conta da impossibilidade de apreender a grandeza do conceito. Os adjetivos ajudam a tornar mais palpável, menos distante, esse sentimento abstrato, que invade corações e mentes dos torcedores do time.
Em poucas palavras, é assim que eu – que não torço pra time algum – enxergo a paixão corinthiana.

OS INCONFORMADOS QUE VIRAM CHATOS
Em dia de jogo do Corínthians – também conhecido mais intimamente como Curíntia – os apaixonados se deixam levar pela paixão. Os não corintianos, em sua maioria, pela sensibilidade do cotovelo e por uma lógica travestida de correção politica que só funciona quando se trata de detonar os corintianos.
Não é inveja, não! É a certeza de que para pertencer àquela nação é preciso alguma coisa a mais que o não corintiano não tem. Não tem, não tem como adquirir, não se vende em canto algum, não se aluga, não pode ser fingido. Ponto.
Ou se é, integralmente, ou não se é corintiano.
Daí que os inconformados, por não pertencerem à legião, viram chatos.
E começam a desenvolver teorias que se aplicariam também a seu comportamento de torcedores, mas que, em momentos-chave, servem apenas para deslegitimar a torcida corintiana: “Neguinho deixa o filho sem comer para ir ao jogo!”. “Carinha falta no trampo pra não perder o início da partida.” “Cara deixa de mijar três horas pra não perder uma absolutamente impossível antecipação do segundo tempo”....
E daí?
Daí parte-se para a generalização: que futebol é circo e basta isso pra alegrar o povo, que são um bando de idiotas (note: só os corintianos), que isso, que aquilo. Pior: tudo isso, segundo os chatos, só aconteceria no Brasil, quando o mínimo de pesquisa mostraria que no mundo inteiro onde existe futebol a paixão é a mesma.
É o que esse esporte costuma despertar e nenhuma legião de chatos vai mudar isso.
O chato é o que insiste, que se amargura ao ver a alegria alheia, que joga papel no chão todo dia mas que no dia do jogo do Curíntia vai verificar se havia um cuspe na Avenida, pra poder esbravejar: “Tá vendo! Cuspe de corintiano!”.

ABAIXO A URUCA: AMULETO-PALAVRÃO
Se eu fosse corintiano, pra afastar a uruca, criaria uma brigada com o nome de “Vamos Torcer Na tua Cara”, cuja sigla fosse VTNC – que permitiria também a leitura “Vai Tomar no Cu”. E, gloriosamente, mostraria para os chatos cartazes com um enorme VTNC.


Salve o Corinthians!

terça-feira, 3 de julho de 2012

É tudo mentira



Tem um pessoal muito legal e engajado brigando pelo fim da propaganda para crianças. Na verdade não é bem isso, mas na real é quase isso. Eu que sou super alienada fico sabendo das coisas na última hora mas olha, taí uma causa à qual vale a pena se engajar. Sou super, mas muito, contra propaganda em canais infantis e durante a programação infantil na televisão. Ok, muita gente pode dizer "só permita a TV Cultura" ou "não deixe seus filhos verem TV" mas gente, tô falando de normatização, de se impedir que as crianças virem consumidores antes mesmo de serem alfabetizadas - coisa que já ocorre, todo mundo sabe disso. Não de escolhas ou educação. E aqui em casa se vê TV, sim. O mínimo que eu posso suportar e o máximo que a Nina consegue me dobrar, é sempre uma guerra, mas convenhamos que a programação de hoje é muito legal (eu <3 Bob Esponja). Mas os intervalos... é um tal de "quero tal marca, quero tal brinquedo", de se criar necessidades inexistentes, de iludir os coitadinhos de que o boneco vai voar, a boneca vai vomitar como se fosse de verdade. O que sempre acaba em frustração, mesmo porque criança precisa de espaço e de fantasia, não de brinquedos faz-tudo. Propaganda infantil é canalhice, ponto.

Sei do que estou falando, trabalhei bons 5 ou 6 anos com propaganda. 

Aqui em casa o mantra é o seguinte: PROPAGANDA É MENTIRA. "Mãe, olha que boneca linda, abre as asas e fica azul". É MENTIRA, MEU AMOR. "Mas por que mentem, mamãe?" PRA FAZER VOCÊ QUERER E A MAMÃE GASTAR DINHEIRO. "Só querem dinheiro, mamãe?" SÓ. DINHEIRO.

Posso até estar sendo injusta. Mas que se dane. A Nina sempre duvida de propaganda. A última vez em que ela quase caiu no papo foi com aqueles sabonetes que se dizem matadores de micróbios (e que são condenados por dermatologistas). "Mãe, por que não usamos estes sabonetes que matam os micróbios?" Porque são mais caros e fedidos, meu amor. "Mas mãe, eles matam micróbios... ou é propaganda mentirosa?". Adivinha, minha linda.


PS - E o volume duas vezes mais alto na hora do comercial? Afff

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mudando de assunto

Que decepção com o último filme do Woody Allen. Convenhamos que já é meio ridículo esse tour atrás de jabá de prefeituras pela Europa. Volta pra Manhattan, darling. O filme não faz jus à linda, fantástica, paleta em tons de pastel da cidade. Nem ao charme deselegante dos romanos. As três ou quatro histórias (vi o filme há 3 dias e já estou esquecendo) são previsíveis, mal desenvolvidas, piadas longas demais. O cantor de ópera que só canta bem no banho (não é spoiler se os jornais já contaram tudo) é uma tortura, uma situação que se pretende felliniana mas que me matou de constrangimento. Penelope Cruz de prostituta é tudo o que se quer ver, e funciona até certo ponto. O trailer tem a melhor risada que você vai dar com ela. O guri da Rede Social é um mini-woody, claro, mas o personagem não é verossímil, pertence ao passado do diretor, não se renova, é aquela coisa de sempre. Não vou dizer que não gostei de Alec Baldwin de consciência, sendo ele mesmo. A historinha com Roberto Benigni podia durar no máximo 2 minutos e ainda assim só teria meu sorriso amarelo, principalmente porque tem lances ultra-machistas e olha que eu não tenho preconceito contra Benigni, já ri muito com suas comédias dos anos 80. Adoro Judy Davies, a atriz que faz a mulher de Woody Allen (fico lembrando das cenas hilárias dela em Celebridades) e foi bom matar a saudade de vê-lo atuando, mas é pouco. Olha, que dinheiro perdido. Devia ter ido assistir ao Deus da Carnificina. Mas agora minha próxima ida ao cinema, provavelmente, será para A Era do Gelo 4 em 3D. 

(Cheguei àquela idade em que não me conformo mais com o médio dos bons - falo do mantra "trata-se de um filme menor, mas sendo dele é sempre melhor que os outros que estão em cartaz". Prefiro rever Crimes e Pecados ou Match Point. Mas esta sou eu e um monte de gente boa curtiu.)

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Férias escolares e eu com trabalho full time

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A pessoa tem que saber seu lugar. Fui convidada para fazer um texto num veículo de um, digamos, estabelecimento comercial muito, mas muito chique, com gente vip escrevendo lá também. Meu serviço seria falar daquilo que Curitiba tem de melhor, chique, novo, elegante etc. Me doeu o coração, mas passei pra frente, mesmo sabendo que seria uma oportunidade de criar, de divulgar meu nome. Mas estou certa que seria um tiro no pé. Meu perfil é feio, sujo e malvado.

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Conheço milhões de gateiras mas nenhuma tem um par de gatas que se deteste tanto quanto Mimi e Lola. Mimi vive sob um reinado de terror. Só come depois que a Lola come, só dorme se a Lola deixa, vive assustada, levando croques e surras da Lola, que só se diverte. Nunca uma relação de dominação foi tão cruel. E o que eu posso fazer? Defendo a Mimi, tento resolver o caso que acontece na minha frente, dou até alguns privilégios à Mimi. Só que Mimi não corresponde: continua sendo uma gata que dá unhadas quando recebe carinho, que machuca a Nina, come seus chinelos, traz passarinhos ensanguentados pra dentro de casa. E Lola, com os humanos, é a coisa mais fofa (foi cachorro e nesta encarnação não lidou muito bem com a mudança, continua esperando a gente na porta, atendendo quando chamamos, sendo porquinha em vez de limpa). E nem contei ainda do Mingau, o suposto gato do vizinho que vem comer em casa, tá lindo, tá gordo e briga com as duas. E o Gatão Preto? Não posso mais deixar as duas saírem pela janela do banheiro, à noite, porque o Gatão Preto Terrorista vem comer o que tiver nos pratinhos delas - e aproveita pra dar umas boas surras nelas. Legal ter um terrenão pras gatas passearem e também uma caixa de areia pra limpar. Olha, saudade de cachorro.

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É o que temos para hoje.