Nina e o pai no sofá.
- Eu sou de osso, carne e dentinhos, diz ela.
Risos. Mas professor de Filosofia não se contém.
- Mas você também é feita de alma, diz ele.
- Alma?
- Sabe o que é alma?
Ela pensa.
- Ah, eu sei! É uma sombra que vive dentro da gente.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Slow post
Tive uma reunião com colegas do interior, coisa de dez pessoas. Ao final, como sempre, fomos almoçar junto e depois cada um pegaria seu vôo ou iria para a estrada. Lembrei que o restaurante em que normalmente vamos, na esquina do prédio onde trabalho, tem atendimento muito lento. Pedi pro meu chefe, que conhece tudo que é restaurante e lugarzinho interessante da cidade, que recomendasse outro. Ele foi rápido – tem um ali na esquina que é o melhor dos italianos, disse. Bem perto, beleza. Eu nem tinha ouvido falar, é um restaurante simpático e meio escondido. A secretária reservou os onze lugares e já fomos. Chegamos lá, o dono, um italiano, estava esbaforido. E o restaurante, vazio. Bem bonitinho e convidativo, mas vazio. Me apresentei e o italiano veio logo informando: tenham paciência que nossa comida aqui não é fast food, disse. “É slow food”. Eu ri, ingênua. Mas estava escrito no cardápio: Restaurante Bliblibli, Slow Food. Ai, ai. Pra não fazer um slow post, conto logo. Uma hora e meia depois, chegam os pratos. Bem, ninguém perdeu avião – teve gente que saiu correndo, mas ainda deu tempo. E eu pensei numa logomarca pro restaurante, se fosse meu. Seria um escargot tocando um berimbau. E o slogan: VERY, VERY SLOW FOOD. E olha que não era grande coisa. Só a conta.****
Outra da reunião. Antes de conversar, aguardando um participante que atrasou, conversávamos sobre as reuniões anteriores, em outras cidades, com colegas antigos e blabla. Do nada, uma das colegas disparou:
- Eu achava a Cristina NOJEEEEENTA!
Quase caí da cadeira. Mas ela esclareceu:
- Aí ela foi nos visitar na empresa, nos conhecemos melhor e agora não acho mais.
Ah, bom. Só que essa visita foi feita há uns 3 meses, no máximo. E somos "colegas" há quase 4 anos.
Tchã.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Radicais à solta
Fui numa dermatologista daquelas, com todo tipo de tratamento pra todo tipo de problema de pele. Só me deu boas notícias: a mancha vermelha que estava me preocupando não é nada - meu organismo adora me pintar de vermelho, é uma coisa vascular e tals - e a decadência pré-40 pode ser amenizada. Claro que a custo de ouro.
Isso tudo me lembrou de quando morava em Ribeirão Preto, sem dinheiro nem pra protetor solar - e aquela terra tem um sol de lascar que me manchou o rosto pra sempre.
Logo que entrei num plano de saúde, fui num dermatologista.
Médico e professor. Acho que da USP de Ribeirão. Um velhão meio cara amarrada. A sala de espera era cheia de fotos tipo Sebastião Salgado. Aquele povo feio, judiado, sabe como é (eu adoro, então não me xingue).
Já no começo da consulta falo das fotos (eu fazia um curso de fotografia) e descubro que o médico atende os bóias-frias da região, que trabalham com cana, e o pessoal do MST.
Tudo com esquema com a universidade, bonito, de voluntariado e conscientização e blabla.
E Cristina, a Fútil, decide fazer piadinha.
- Ué, mas o senhor deveria ser contra radicais livres!
Juro que demorou pra me darem outro olhar frio de desprezo como o dele.
Isso tudo me lembrou de quando morava em Ribeirão Preto, sem dinheiro nem pra protetor solar - e aquela terra tem um sol de lascar que me manchou o rosto pra sempre.
Logo que entrei num plano de saúde, fui num dermatologista.
Médico e professor. Acho que da USP de Ribeirão. Um velhão meio cara amarrada. A sala de espera era cheia de fotos tipo Sebastião Salgado. Aquele povo feio, judiado, sabe como é (eu adoro, então não me xingue).
Já no começo da consulta falo das fotos (eu fazia um curso de fotografia) e descubro que o médico atende os bóias-frias da região, que trabalham com cana, e o pessoal do MST.
Tudo com esquema com a universidade, bonito, de voluntariado e conscientização e blabla.
E Cristina, a Fútil, decide fazer piadinha.
- Ué, mas o senhor deveria ser contra radicais livres!
Juro que demorou pra me darem outro olhar frio de desprezo como o dele.
O horror

Estava eu botando em dia o clipping - leitura atrasada de jornais desde dezembro (!), basicamente um serviço de preso do cão - e, claro, me deprimindo com a sucessão de notícias horríveis, lamentáveis, daquelas que nos faz desacreditar (confirmar o descrédito, no meu caso) na humanidade; quando leio a notícia definitiva, a pior de todas, aquela que não vai me deixar dormir e na qual não consigo parar de pensar.
Uma vez li um monge tibetano numa revista falando que o cérebro é como um bando desembestado de cavalos, que ninguém controla (ou é quase impossível, já que ele tratava de meditação). É isso mesmo. Eu tento não pensar, tento não lembrar, mas não consigo. E o monge dava um exemplo: - conte até dez sem pensar num coelho, ordenava. Tente, agora.
Uma vez li um monge tibetano numa revista falando que o cérebro é como um bando desembestado de cavalos, que ninguém controla (ou é quase impossível, já que ele tratava de meditação). É isso mesmo. Eu tento não pensar, tento não lembrar, mas não consigo. E o monge dava um exemplo: - conte até dez sem pensar num coelho, ordenava. Tente, agora.
Vou ter que sair da dieta, beber algum vinho, brincar de corrida de princesas com a Nina e assistir House pra tirar aquela notícia hedionda da cabeça.
Ok, me odeiem, raros leitores, não vou contar.
Ok, me odeiem, raros leitores, não vou contar.
Meu querido diário
Não bastasse a nojeira do vestiário pequeno, a louca que me ODEIA me olhando feio durante as aulas de aeroboxe e a minha falta de coordenação, ainda tenho que sofrer com a vergonha que sinto ao tirar meus tênis da bolsa. O fedor daquele Asics Kinetic explica porque a propaganda no site diz que com ele você faz uma corrida espetacular: pra longe! Juro, gente, é uma catinga do inferno. Mas foi caro, o desgraçado, vou usar até o gel parar de feder. O que, segundo a assistência técnica CARA DE PAU, pode acontecer se eu lavá-lo toda semana durante uns mil anos.
Histórico escolar
Contei pro chefe, brincando, que com a tal da pós eu voltaria a estudar, coisa que não faço desde os 13 anos. Mas é mentira. Nesse meio tempo - intervalo de 25 anos - eu fiz cursinho, então conta um ano de estudo ferrado. E acabou.
Vendo meu histórico escolar, chega a dar vergonha. Com exceção do português/gramática/literatura, o resto eu só passei raspando. Tipo 6,2 de nota média. O engraçado é que no histórico só vêm as matérias com aprovação. Aquelas nas quais reprovei, por nota e por falta, nadica. E foram várias. Quase desisti de tudo, no meio. Não fosse federal, isto é, de graça, teria largado. Mas talvez também as aulas também não fossem TÃO ruins. Eu confesso. A universidade foi boa pra ser vivida, mas em se tratando de aprendizagem, ui, foi péssima.
Ah, sim, estou falando só da minha área, do meu curso. Aliás, eu adorava fazer línguas estrangeiras como matérias optativas; psicologia, antropologia, sociologia. E ainda tive aula com o Cristóvão, que foi o ponto alto.
Acho que vou ter que esconder o histórico da Nina, futuramente. Mau exemplo. Bad, bad robot.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Pra pós
Mandam anexar à inscrição histórico escolar universitário e currículo.
Quer dizer, os próximos dias vão ser de (barbra streisand mode on)memories...
Isso se eu achar os documentos no gaveteiro verde. Se não estiverem lá, danou-se.
Quer dizer, os próximos dias vão ser de (barbra streisand mode on)
Isso se eu achar os documentos no gaveteiro verde. Se não estiverem lá, danou-se.
Ironia
Tô lá tranquila suando, fazendo minha ginastiquinha todo dia, na hora do almoço, o que às vezes resulta em não-almoço, e convivendo com um pessoal que, digamos, não é muito meu tipo. Tem umas meninas simpáticas mas tem outras que eu preferiria evitar.
Aquele povo que dá grito durante a aula, sabe? Mulher que fica contando aventura sexual enquanto se enxuga, no vestiário.
E uma delas é justamente uma senhoura que, por motivos profissionais - não vou dar detalhes, mas digamos que ela é de um time e eu sou do outro - me ODEIA.
Bem, eu passei as duas últimas semanas achando que se tratava de alguém parecido com a pessoa, mas hoje descobri que é a própria. As pessoas mudam quando estão de legging e barrigão/bundão aparentes em vez das roupinhas profissionais, tipo calça preta de tergal e camisa bufante florida. Daí ouvi a tal moça sendo chamada pelo nome e reconheci. É a própria.
Acontece que a aula de jump tava chatinha, pula ali, ergue a perna, eu nem suava muito (a cada dia me surpreendo mais com meu fôlego), cada um no seu quadrado, quer dizer, neste caso cada um no seu redondo; e o professor anunciou que iria fazer em metade da aula uma amostra de aeroboxe. Então guardamos os coisinhos de pular em cima e passamos a socar o ar.
Eu adorei essa parte da aula. Mas tive a impressão de que a moça que me ODEIA estava dando socos na minha direção.
Bem, e eu é que não vou deixar a academia. Na última aula de spinning, o professor fez uma trilha com Pink Floyd, Michael Jackson e Santana (a moça que me ODEIA não faz esta aula, é preguiçosa).
Ódio x desprezo. Vamos aguardar os próximos capítulos.
Metas metidas
Fazer pós e ler toda Simone de Beauvoir.
Tá certo que a pós é meio picareta. E que eu já li uma boa parte da obra da Simone. Mas é bastante pra um ano.
Tá certo que a pós é meio picareta. E que eu já li uma boa parte da obra da Simone. Mas é bastante pra um ano.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Equívoco
Poucas horas atrás, quando começava o churrasco de domingão, a Nina vê o tio acender um cigarro.
- Mamãe, deixa eu falar uma coisa no seu ouvido.
- Fala.
- Sabia que quem fuma não morre nunca???, sussurra, apontando para o tio com o narizinho.
- Não, Nina, é praticamente o contrário. Mas depois falamos disso.
Anotação mental: falar dos males do cigarro, antes que ela comece a fumar escondido como meus primos faziam, lá pelos 8 anos.
- Mamãe, deixa eu falar uma coisa no seu ouvido.
- Fala.
- Sabia que quem fuma não morre nunca???, sussurra, apontando para o tio com o narizinho.
- Não, Nina, é praticamente o contrário. Mas depois falamos disso.
Anotação mental: falar dos males do cigarro, antes que ela comece a fumar escondido como meus primos faziam, lá pelos 8 anos.
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