sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sabe sexta-feira?

Sabe dia complicado? Sexta-feira que não quer acabar? Hoje foi uma manhã dessas.
Foi o que pareceu na hora. Agora nem parece tanto.
A Nina me acordou antes do desenho da Ariel. Geralmente é o contrário, mas ela tossiu a noite toda e eu fiquei naquele deita-levanta pra conferir febre e bem. Dormi demais.
Depois tomei café demais, li jornal e internet demais.
Daí vem a seção dar-banho-pôr-uniforme-desembaraçar-secar-cachos.
Lembro que é sexta-feira. Sexta é um dia cheio de coisinhas a serem lembradas.
Sempre esqueço uma - ou todas.
É dia de lanche comunitário na escola.
"Nina, quer levar bolachas e maçãs?" "Não, mãe, quero manga cortadinha".
Cortadinha. Pra uma turma de 14 crianças, considere que um terço delas pode (duvido) se interessar, então dá umas três mangas a serem picadas em quadradinhos e levadas pra escola num tupperware. E achar um com tampa que caiba. Parece que as tampas não são dos respectivos potes, tudo torto.
Enfim.
Leio a agenda escolar - geralmente esqueço. Tava lá "favor mandar duas caixas de leite (...)" - O QUÊ? EXPLORAÇÃO - "(...) vazias para atividade lúdica". Ah, tá.
Como esqueci mesmo que quinta-feira era dia de coleta reciclável, fucei no lixo-que-não-é-lixo e achei as benditas caixas.
Mas tem que lavar, né. Lavei.
Bem, sexta também é dia de brinquedo. Das crianças levarem brinquedos pra socializar. Já comentei que a Nina antes só levava brinquedo do qual não gostasse. Agora ela está menos, digamos, apegada.
"Nina, pega um bicho aí pra levar pras amiguinhas".
"Ah mas eu quero levar a Barbie e o noivo e umas roupinhas pra trocar".
Ok. Acha uma bolsinha pras roupas de Barbie. Acha a roupa de noiva, que a Barbie noiva está com o vestido lilás, tem que levar o pente de boneca também. Ok.
Ah, é dia de judô. Acha a roupa de judô. Será que a dona Ana botou pra lavar? Mas o professor disse que não é pra lavar roupa de judô, senão fica molinha demais. Por mim, ótimo. Encontrada a roupa, no mesmo lugar em que a joguei na sexta-feira passada, na cômoda do quarto de visitas.
Ainda tem que tomar remédio pra não tossir e pra secar a coriza. Brondilat e Decongex. Cinco ml, doze gotas.
Pronto, estamos oficialmente atrasadas.
"Mas mamãe, eu quero terminar o quebra-cabeças".
"Não dá agora".
"Então vou deixar aqui no chão pra terminar quando chegar".
"Ok".
"Mas a Mimi vai comer as peças".
É verdade. A gata já amputou dois pés de Barbies.
"É só fechar as portas".
Só que esqueci da janela do banheiro. O-oh.
Vamos pro carro. Pra garagem mas pela porta da frente, que a de trás só está fechando por dentro. Damos a volta pela casa. Chega no carro, cadê a chave? Tá dentro de casa. Volta e meia, vamos dar.
O telefone toca. Eu - "quem é o filhodamãe que liga na hora do fechamento?" e é o marido, pra saber se tá tudo bem. "Tudobematrasadastchau".
É isso. Tudo tão simples, mas tão enrolado. Sabe essas sextas-feiras?
E eu nem contei da sessão pra achar a minha calça de ginástica.
Fim do dia.
Daqui a pouco pego Ninotchka e vamos faceiras e peruas ao shopping comprar presentes de aniversário - um tênis pro primo que mora no Mato Grosso (e que será visitado pela sogra, portanto vai na mala) e alguma coisa do Ben 10 (de preferência uma maleta de lápis de cor que é legal e barata) pro amigo que faz aniversário amanhã.
Então, quem quiser conferir a mini-diva, estaremos no Mueller, provavelmente as únicas nas mesas do restaurante por quilo que tem feijão, arroz, carne e fritas às oito da noite. Depois no Mac Donald´s tomar o sorvete de duas cores, que ninguém é de ferro.

Planejando o finde


- Nina, vamos amanhá jantar eu e você com o papai, à noite, num restaurante?

- Vamos.

- Mas você vai se comportar, sem chorar, sem querer ir embora antes da gente comer, vai comer direitinho?

- Vou. Mas já vou avisar: náo vou comer batata-frita de carinha.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

O pior emprego do mundo*

É o de árbitro de futebol, com certeza*.
Pense num desses que apita jogão (cof, cof) transmitido pela Globo ou Band.
O cara tem que correr pra caramba, ser tão atleta quanto os jogadores.
Precisa estar atento ao jogo e aos jogadores ao mesmo tempo.
À linha de impedimento.
Ligado na possibilidade de violência entre zagueiros, marcadores e atacantes.
Na bola.
Tem que saber qual jogador já tem quantos cartões, pra não exagerar numa punição e acabar dando o vermelho.
E tem que agüentar 22 jogadores mentindo o tempo todo contra ele. Representando. Enganando-o. Tentando impressioná-lo a dar um cartão pra quem não merece. Ou minimizar um lance que possa gerar falta ou cartão.
Tem que agüentar os xingamentos dentro de campo.
Dos técnicos, também mentirosos e manipuladores.
E a pressão da torcida.
E saber que tudo que faz está sendo vasculhado, rastreado, comparado e apontado por câmeras, narradores, infográficos e softwares, ao vivo. Contra ele. Raramente a seu favor.
Sempre que ele erra, é porque é burro, é ladrão ou covarde.
Sempre que ele acerta, é normal, faz parte da profissão.
Pode ser. Mas eu sou solidária aos árbitros. E eles nem devem ter um grande salário.


*Ok, há empregos piores, mas deixa eu fazer um título impactante, vai.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rapiditas

A secretária liga pro banco pedindo pra fazerem um tipo de transação na conta do chefe. Eles fazem o que é pra ser feito, mas por último tem que passar a ligação pro chefe, pra que ele dê permissão ao vivo. Ela passa a ligação pra ele, ele repete seus números de CPF e de telefone residencial e pronto. Agora me diga - se ela estivesse roubando do chefe, podia ser o porteiro, qualquer um, se fazendo passar pelo chefe. Desde quando uma voz ao telefone vale como assinatura?
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Nina com febre, dormiu no meio da nossa cama. Acordou bem e de cabelinhos molhados. Hoje passou o dia com a vó. Eu que fiz o almoço. Queimei o arroz integral - pra ver como destreinei - e de verdura só tinha um espinafrinho pra picar no arroz mesmo. Feijão e linguiça.
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Perdi o spinning, o jeito é repor no sábado. Só eu e mais 3 gatos pingados doentes que fazem spinning no sábado. Mas pelo menos o professor fatura.
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Tenho mil livros pra ler, uma pilha. Não leio realmente há anos. Admito que os blogs e twitter atrapalham. As séries também, apesar de "só" manter o vício em Lost e House. Pior é que na fila está um livro do marido. Shame on me.
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Aliás, ganhei ontem dois da Simone de Beauvoir. Cartas a Nelson Algren e A Força das Coisas.
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No evento familiar do domingo (o que perdi por motivo de ressaca maior) Nina foi considerada uma criança super educada. A fama foi pro interior junto com os tios. Motivo: não chorou nem brigou por causa de comida na casa da vó. Ao primo que chorava porque não queria a gelatina só de uma cor (e a sogra fez aquela sobremesa misturada, "mosaico"), ela bronqueou - "Pra que tanto drama? É só uma sobremesa".
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Até parece que ela não é uma drama princess.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tapa-bunda

Jane no tempo das perneiras


Quando eu tinha uns 14 anos minha mãe trabalhava à tarde e eu estudava de manhã; pra não ficar sozinha em casa a semana toda, tive que arranjar o que fazer. Daí comecei minha longa carreira de academia. Ia todo dia com minha amiga Patrícia, a pé. Olha que atravessávamos a cidade pra chegar à única academia que existia na época. E depois íamos pra aula de datilografia.
Naquele tempo, idos de 1984 (oh yeah), as pessoas – mulheres – usavam colants coloridos, meia-calça e sapatilhas pra fazer exercícios. Fossem as senhorinhas mais fofinhas às adolescentes desajeitadas, todas de colantzinho. Era engraçado e completamente inapropriado: imagina ficar pulando e fazendo exercícios de sapatilha. Não tinha sentido. Também usava-se perneiras. Elas não serviam pra nada, só pra enfeitar, e esquentavam as canelas. Éramos todas Jane-Fonda-wannabe (a trilha sonora das aulas era Queen e Tina Turner).
Passado algum tempo as freqüentadoras de academia viraram grunges. Os colants caíram em desuso e todo mundo ia de camisetão e calça legging (parece pleonasmo falar calça legging; assim como festa rave). Não fosse o suor, dava pra sair da academia pra balada - a minha era o RU ou o Bar do Cardoso.
De uns tempos pra cá, no entanto, as freqüentadoras de academia passaram a usar as roupas mais desinibidas. Tops nas barrigas de fora, peitões em evidência (silicone, claro) e calças de ginástica tão grudadas que parecem a velha meia-calça.

Tapa-bunda para moças de fino trato

E é aí que entra o propósito deste texto tão besta. Descobri na semana passada a existência do tapa-bunda, ou tapa-cu. Eu achando que as meninas eram meio friorentas, porque vão pra aula ou treino com peso usando uma blusinha amarrada na cintura. E nada, é um tapa-cu. É só um pano que não deixa aparecer o rêgo quando elas se abaixam.
Achei isso tão peculiar. Ridículo. Despropositado – afinal, já estão mostrando os peitos, a barriga, por que não a bunda? Aliás, fazendo aqueles agachamentos bem pra firmar a bunda mesmo. Talvez seja isso. Tapam antes de arredondar. Depois vão empinar e exibir.

Resuminho

Ontem tive a pior ressaca da minha vida. Quero dizer, já devo ter tido ressacas piores, mas o organismo era outro (lembro da última vez que bebi chope, há uns cinco anos, era da Kaiser e quase morri). Fiquei na cama até as 16h. Bem no domingo que tem visita do interior na casa da sogra, almoção com carneiro e crianças e primos etc. Minha mãe me representou. E a Nina, lógico. Comprovei a antiga fama de cachaceira. Nem eu acreditaria que hoje vivo de suco de couve e exercícios; minha moral já era. Culpa de um bar mexicano e da falta de noção da hora de parar com o vinho. Sim, vinho no bar mexicano. Desaprendi, não sei beber absolutamente mais nada. Fomos ao bar de táxi pra poder encher a cara, e adivinha. Os amigos que estavam bebendo junto nos trouxeram pra casa, pra uma última garrafa. O que não tem o menor sentido.
E a Nina disse que chorou escondido porque eu tava dodói. Eu podia chorar junto de culpa, mas sei que ela gosta de fazer um draminha e estava com a maior cara de safada quando contou.
Só sarei depois de dar uma volta, já quase de noite, na ciclovia. Ar fresco na cara e água de côco.
Agora de manhã um sucão desintoxicante, pão e café. Nina aqui do lado brincando de bibliotecária. Me enfiando os livros de fadas na cara enquanto digito.