sábado, 8 de agosto de 2009

Resumée

Esta semana foi difícil. Um pouco de correria no trabalho, coroando com uma reunião infernal na quinta-feira que me deixou esgotada física e emocionalmente. Adoro correria mas detesto lidar com gente, egos, prazos, pautas, organização. Enfim, só gosto mesmo de apagar incêndio com a imprensa, nisso eu sou especialista, fico rapidinha e tudo. Mas pra fazer reunião, olha, dou vexame.
Então que foram mais sete dias de folga pra Nina e pro marido. Quarentena mesmo. Pra quem está longe parece um exagero, eu sei, isso tudo por causa de uma gripe mais forte. Eu continuo tentando manter o racional em ordem, mas na quinta-feira houve mais um enterro, agora de uma ex-aluna do marido. E fui a última a saber de uma prima que também pegou a gripe A mas agora parece que está bem. Ontem o E. estava orgulhoso de ter encontrado álcool gel. Mas quando foi ao mercado comprar massa de pizza, à noite, não tinha. Um funcionário disse que, por causa de um pedido do MP para fechar mercados e shoppings, houve uma correria por produtos desse tipo.
Uau. Quem não lembra de A Peste? Ok, é exagero, mas eu amo esse livro, tá?
Voltando ao trabalho. Passei momentos de tensão pra escolher os sabores do sanduíche de metro que seria o lanche do dia de reunião. Pô, o buffet deu umas 30 opções de escolha. Como disse um amigo no twitter, isso é muito The Office. E realmente. Pena que eu não tenho um Dwight Schrute pra compensar a rotina. Enfim. Pensa que é fácil? Reunir doze pessoas e fazer todo mundo feliz com o almoço? Isso tendo uma longa pauta a cumprir depois? Tinha que deixar as pessoas felizes, sabe que quem está mal comido não toma boas decisões, fica de mau humor. Foi difìcil. Mas consegui escolher 3 sabores que, na hora de servir, eram incrivelmente parecidos uns com os outros.
Durante a reunião, um ato falho à Tina Lopes. Mas acho que ninguém notou. Alguém veio com aquele papo de "temos o ônus, precisamos ter o bônus". Gente, como eu odeio essa de ônus-bônus. Primeira coisa que me vem à cabeça é um ônibus. Mas eu tava lá com cara de séria, sainha e bota alta, executiva, saca? Não posso ficar virando os olhos e fazendo pffff pra cada uma dessas. Daí vou comentar o assunto e mando um "o ÂNUS...." ai. Sorte que eu estava com a xícara de café ainda perto da boca e disfarçou um pouco. Pano rápido!
O ânus e o bânus.

Ainda quero comentar: e a baixaria no Senado, hein? Se a OAB realmente lançar campanha pra que todos deixem seus mandatos, eu pinto a cara e vou pra rua.

Marina Silva candidata a presidente pelo PV. Essa foi a melhor notícia da semana. Não pelo meu voto. Ok, provavelmente eu votaria nela. Mas principalmente pelo elemento surpresa, por demonstrar que a política não funciona apenas como a meia dúzia que manda pensa que deve ser. Desmonta todas as estratégias, os conchavos, as espertezas engendradas (ui) até agora. Como diria o Nelson Rodrigues, é o Sobrenatural de Almeida dando as caras. E teríamos duas mulheres capazes, decentes e interessantes pra votar. A única coisa que pode me afastar dessa candidatura é o fator "crente" da senadora Marina. Mas podem me malhar, eu queria mesmo era a Marta.


Bem, tirando tudo isso, ressaca. Como marido está de folga - engraçado que, por ser diretor, durante as férias mesmo ele só trabalhou com horários, essas coisas, e agora com a gripe fechando tudo, tá de férias - os colegas da universidade se reúnem quase toda noite. What`s the point, né, porque a idéia é justamente evitar aglomerações. Acho que eles não entenderam bem a coisa do álcool proteger contra o vírus: é pra lavar as mãos, não é pra beber! Então estou bem cansada porque desacostumei dessa vida boêmia. Um vinho branco pra acompanhar um peixe, na quinta à noite, me deixou com uma dor de cabeça que não passa.

Não é a gripe, juro.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pesadelo

Renan Calheiros e Collor no JN dando showzinho. Faça-me o favor, diabo dos inferno, pelo menos mude os atores dessa peça de mau gosto.
E eu tuitei lá: tenho mágoa da Heloísa Helena por ter deixado o Senado de Alagoas pro Collor. Ela quis fortalecer seu partideco, acabou tendo que recomeçar como vereadora, e nos relegou essa herança da sua estratégia política - que convenhamos, foi um desserviço pro país.
E olha que eu adoro a Helô Helê, entrevistei-a 3 vezes e sempre fiquei entusiasmada com seu brilhinho nos olhos, com sua radicalidade (tenho gravado em alguma fitinha velha sua voz explicando "sou trotskista, leninista e cristã"), que acho necessária, enfim, gosto dela. Mas...

domingo, 2 de agosto de 2009

Um post politicamente incorreto

Esse post baseia-se exclusivamente na minha memória emocional. Minha primeira lembrança política é a posse de um general presidente - o Médici passando o cargo pro Geisel. Perguntei pro meu pai o que mudava, ele suspirou e disse que nada, que esse país tá perdido e que era tudo a mesma merda etc. etc. Fez um discurso daqueles - pra uma menina de 4 anos, foi um pouco demais.
Pula pro Figueiredo. Um ser humano desprezível. Todo um anedotário ao seu redor. Mas veio a tal da abertura, as Diretas Já, a eleição do Tancredo. Mesmo sendo nova demais eu podia perceber a angústia da necessidade de uma guinada democrática. No interior não tivemos mortes, torturas, perseguições nem censura, mas havia uma urgência. Eram dias empoeirados e sufocantes: sempre achei que o tom amarelado das fotos da época eram mais fiéis ao emocional do que ao figurativo.
O dia em que o Tancredo morreu foi um desespero. Além do feriado mais chato do universo, com todo mundo em casa deprimido, tudo fechado na cidade e enterro ao vivo na TV - com Milton Nascimento cantando Coração de Estudante no modo random. Mas além da morte, além do drama, da tragédia, da frustração, vinha o desgosto: Sarney presidente. De repente, quem era aquele jacu, aquele coronelão bigodudo, aquele peemedebista de última hora, que tinha acabado de cair de pára-quedas no partido só pra entrar na chapa anti-Maluf? Obviamente preferia-se o Ulisses Guimarães, que era presidente da Câmara, pro cargo.
Ele não tinha sido convidado pra festa pobre da democracia, era o que se comentava. Não estava à altura do papel de primeiro presidente civil depois de 30 anos de farda. Mas foi levando. Criou o Plano Cruzado e eu nunca mais veria (nem mesmo no Plano Collor) tamanha boa vontade popular - diretamente proporcional ao tamanho da cagada. Vizinhos se diziam fiscais do Sarney. A mídia também decidiu criar simpatias pro novo presidente: sua mulher tão discreta, sempre de coque e jeito de enlutada; seu sobrenome que vinha da forma como seu avô era chamado - Sir Ney. O folclórico era revestido de respeito, transformado em tradição.
Que me lembre, sem ter de consultar o Google (preguiça e falta de tempo), ele foi do céu ao inferno em pouco tempo. O plano era uma bomba, faltava de tudo nas prateleiras, o leite era jogado nos rios e o boi sumiu do pasto. Lembro da gozação dos comediantes Tatá e Escova no programa do Faustão, Perdidos na Noite, lendo a enorme lista de preços e sempre começando por "Cê-zê-cifrão" (CZ$). Éramos ridículos. A super aprovação do Plano virou o maior índice de rejeição de um presidente, acho que até hoje nunca superado.
O que faz um sujeitinho desses, que se agarrou num cargo ao qual não estava preparado, que enfiou o país numa inflação estrondosa, que envergonhava a todos ao garantir que estava fazendo a transição para a democracia - quando até um poste no cargo teria o mesmo efeito? Se agarrou à Presidência, claro, com um ano a mais no Poder. E ainda teve o escândalo da Ferrovia Norte-Sul, com edital viciado e tals, que hoje sabemos, foi só o começo (ou já era o meio) de uma longa carreira de negócios escusos.
Enfim saiu, ridicularizado e desprezado, penou um tempo sem cargo. O que faz uma pessoa que já chegou ao ápice de sua carreira? O Bill Clinton dá palestras. O Itamar se retirou e virou conselheiro do PMDB. O Fernando Henrique viaja pelo mundo se exibindo. Lula não quer o terceiro mandato, sabe que a história só se repete como farsa. O Sarney? Foi se eleger senador de um Estado que não era o dele - porque em seu próprio curral não tinha mais apelo.
(Qual o outro presidente quis - e voltou - pra política? O Collor)
Mas não há nada que a compra de emissoras de tv e rádio não cure, marketeiristicamente falando. Virou escritor, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, usa fardão e economiza em estacionamento quando vai ao Rio; é tratado por doutor em vez de coronel. Fez a filha senadora também, quase candidata a presidente. Assina artigos na Folha e exige respeito à biografia. Consegue. O presidente Lula pede respeito à sua biografia.
Agora dizem que depois de todo o vexame dos atos secretos e da conversinha de boca-mole de sua família ao telefone - reinstaurando a censura que ele se vangloriava ter ajudado a acabar, nos anos 80 - Sarney pode cair, pode sair pela porta de trás, como convém, sim, à sua biografia mesquinha, destruidora, parasita.
Foi um presidente que não deixou nada, um senador que não fez nada (me cite um projeto do Sarney, assim de cabeça. Ou não: faça uma pesquisa e me conte qualquer coisa que ele tenha feito pela população brasileira) a não ser se agarrar ao cargo e ao que de pior pode existir na política.
Mas eu ainda duvido. Essa gente é viciada e viciosa. Aguardemos o próximo capítulo dessa novela de terceira. E que fique claro: escrevi tudo isso porque eu, há muito tempo, ODEIO José Sarney.

Domingão

Nina e o Pacman.

Na cozinha, a Nina vestida de tomatinho. As galinhas de Porto de Galinhas.

A rede pendurada, desgostosa, esperando o verão.

Os mamões cresceram até esse tamanho e pararam. Nem amadurecem, nem caem.

Tartaruga, cogumelo e caracol.
O manjericão secou, só o louro sobrevive.

Falei pra amiga da loja de decoração: quero um peso de porta de pinguim. E ela tinha.
Canto da cozinheira feliz: música enquanto cozinha. Comida da Mimi. O pinguim fugindo.

Nosso termômetro ultra-científico. O homenzinho sai quando chove, a mulherzinha sai no sol.
As samambaias, pelo menos, ficam lindas com esta umidade.



Piu-piu, com frio, se cobriu com meu lindo lenço de pescoço.

Bebidinhas - a penteadeira virou bar.

Domingueiras

Tive um sonho tão legal, um roteiro tão bom, que nem vou contar. Só adianto que envolve clones, replicantes e família.

***

Eu gosto de chamar a Nina com uma voz braba e quando ela diz "o quê?", respondo: "te amo". Nhóim. Daí fiz isso agorinha pela duocentésima milionésima vez, ela virou e disse - "Me chamando pra só um tiaminho?".

Ok, eu mereço.