sexta-feira, 5 de junho de 2009

As tatuagens que eu faria

Se os profissionais de Miami Ink vivessem aqui – ou eu, perto deles - e se grana tivesse pra pagá-los, eu iria fazer as seguintes tatuagens:

1) Um coração de mãe, bem brega, bem coloridão, do tipo marinheiro mesmo, no braço esquerdo (a parte de cima do cotovelo é braço ou ante-braço?). Com uma faixa no meio escrito NINOTCHKA. A imagem abaixo é de uma camiseta feita especificamente pra matar a vontade de ter esse tipo de tatoo - o que já demonstra como é lugar-comum. Mas tô nem aí.


2) Pediria que pegassem a foto da Simone de Beauvoir, nua, e fizessem nela traços de pin-up. Não é sacrilégio! É uma homenagem. Esta ficaria nas costas, do lado direito. Sem o banheiro, só o espelho - abstrai, né gente.



3) Tem que fazer um número ímpar de tatuagens, reza a lenda. Então eu faria ainda uma rosa bem simples, de traços retos – acho até que eu a desenharia. Essa na base da nuca. Na verdade, o que sempre planejei pra nuca foi um desenho de Rosa dos Ventos, mas em estilo “mapa de pirada”. Ops, ato falho – mapa de pirata.


Não tenho medo de dor nem de ter uma tatuagem. Tanto é que a do braço seria bem visível; a da nuca também. O problema é não ter certeza do resultado. Tinha uma colega na escola que tatuou um leque – coisa mais besta, também. Daí ela engordou e o leque abriu, ficou parecendo um pufe. Complicado.

Quem é a doida

Fomos eu e Nina ao shopping comprar luvas pra ela. As do ano passado náo cabiam mais. Uma coisinha de nada vira uma sessáo: as da C&A têm o dedáo no meio da palma; as da Renner pinicam. Claro que as perfeitas eram mais caras. Enfim.
No meio da empreitada a Nina aponta o quiosque do McDonald's.
- Mamáe, quero sorvete, sorvete, sorvete, sorv...
- MANEMORTA! Nesse frio!
- Eu quero, quero queroqueroqueroquero...
- OK.
- Hein?
- Vamos fazer um trato...
(Nina adora tratos e acordos - e é louca pelo sorvete de duas cores do McDonald's, aquele mais simplinho)
- ... se você achar UM DOIDO, mas UM DOIDINHO SÓ tomando sorvete nesse shopping todo, eu te dou o sorvete.
- Entáo tá. Vou procurar.

E ficou de olho comprido em todo mundo. Passamos duas vezes pelo quiosque, ela espreitando em volta. Pelo do Bob's, ela de butuca. E nada.
Eu, quase rezando. Imagina se me aparece um doido mesmo. E náo é que tinha? Malditos adolescentes. Esqueci dessa raça que só faz contrariar. Tinha um lá, espinhentozinho, tomando um sundae. Só que ufa, a Nina náo viu.

Achei divertido, mas ela náo. Depois de uns dez minutos ela perdeu a esperança e começou a choramingar. Pra náo admitir que era frustraçáo com o trato, alegou cansaço, dor de garganta - mas logo desmentiu, porque dor de garganta, né: estratégia errada. Mas náo falou mais do sorvete.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ah, tecnologia

Depois de um ano pelo menos, consegui recuperar fotos antigas que estavam no meu Palm. E depois de um atendimento telefônico de quase duas horas, diga-se de passagem, reinstalando e reorganizando tudo. Quem sabe agora a agenda me ajude com meus probleminhas de disciplina e organização.

Até então, estava usando meu PALMATOP pessoal e intransferível. Aqui, com o recado para não esquecer as revistas de decoração para minha colega que vai reformar o apartamento.
Abaixo, uma demonstração dos estragos da empreitada-manicural no final de semana.
A vista da minha janela (que fica nas minhas costas, mas ok) com um elemento surpresa, cerca de um mês atrás.

E voltamos à programação normal.

Pra quem adora o frio

Eu odeio o frio. E agora começou a merda. Vai até outubro, garanto, com "veranicos" no caminho. Mas a regra daqui pra frente é aquecedor sempre à máo (Juanito, o laptop espanhol, ou melhor, cataláo, náo tem til) assim como os remédios pra tosse/coriza/febre.

Claro que tenho mil amigos por esse país tropical que dizem adorar frio. Entendo. É diferente. Exótico. Chique. Aconchegante. Pra quem vê de fora. Pras visitas. Aliás, minhas visitas sempre chegam animadinhas com suas botas novas e cachecóis leves e voltam dando graças-a-deus do feriado ser curto.

Eu odeio andar ainda mais encurvada (minha postura já é lamentável) porque o vento corta mesmo, é uma figura de linguagem batida mas é isso. Lábios e rosto ressecados, rachando. Náo me falem de hidratantes, todos estáo lá no banheiro esperando a hora da coragem do banho. Porque aqui no Brasil náo temos calefaçáo, né. Entáo absolutamente nenhuma casa (estou falando de gente normal, classe média baixa, average) tem condiçóes de aguentar o frio que passa pelas janelas, faz com que as cortinas fiquem duras, nos obriga a mudar os móveis de lugar, camas bem longe delas e das portas por causa da "friagem" que entra pelas frestas. E no banheiro, pode botar aquecedor (a conta de luz triplica nesta época) que náo adianta.

No trabalho, exageramos no café, que gela depois do primeiro gole. Tiro o casaco pra me acostumar com a temperatura ambiente, porque se sair no final da tarde com a mesma roupa que uso lá dentro, congelo. Nosso ar condicionado é doido, entáo esquenta demais ou de menos.

À noite, que era pra dormir, fica impraticável. A Nina dorme no quarto com aquecedor ligado e a gata Mimi queimando os bigodinhos nele (ela agora só passeia de dia). Já a Nina se mexe a noite toda, incomodada com o excesso de cobertores e edredons. Escuto o barulho dela se virando, levanto - saio do quentinho que já demorou pra ficar bom - e vou cobri-la. Ontem a madame estava simplesmente de ponta-cabeça na cama. E náo me venham as máes blasé dizerem que "basta um moleton bem quentinho e deixar que o filho (a) se descubra a noite toda". Eu lá vou deixar criança gelar - depois pega uma tosse e tem que fazer inalaçáo duas, três vezes por madrugada (o inverno de 2007 foi assim, inesquecível).

Entáo, como estou ficando velha e sem paciência, claro que nas últimas noites a Nina tem ido dormir na caminha dela e acorda na minha cama. Porque lá pelas 3 ou 4 da madrugada, abaixo de zero grau (e com a mesma sensaçáo no corredor) eu desisto e a levo, com "toi" (o cobertorzinho favorito) e travesseiro, pro meu quarto. Daí vem as psicopedagogas dizer que nào pode, criança tem que dormir sozinha e tals. Eu sei. Mas e eu tenho que morrer de pneumonia?

Ok. Esses sáo os meus motivos pessoais e egoístas pra odiar o frio. Mas tem o resto, né? Que sáo as pessoas. A moça que vende balas no sinal, enquanto as filhas esperam no ponto de táxi. Elas continuam lá todo dia, no vento impiedoso - outro clichê perfeito. Na rua, os bêbados náo sáo mais asquerosos e sujos: eles estáo congelando. Os cachorrinhos, os gatinhos, os cavalos dos colhedores de papéis. Os lixeiros que trabalham de madrugada. Durma-se, bem cobertinha, com um cenário desses à sua volta.

Entáo é isso, eu odeio o frio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre suicídio e gastos desnecessários

Contei que quase me suicidei no final de semana?
Seria o primeiro caso de suicídio não-premeditado.
É que eu fiz as unhas, sozinha.
E apesar de terem me passado um tutorial bem legal, claro que a primeira vez foi traumática. Cada cavocada, uma minhoca, diria o Silvio Luiz. Hoje que está um frio do cão, todos os dedos doem. Todos têm pelo menos um bifinho. Quando não, uma picanha inteira cortada fora.
Gastei uns R$ 30 em alicate, pauzinho (!) e acetona. Mas o que gastei mesmo foi meio tubo de Nebacetin.
Quero deixar claro que eu tenho o maior respeito por profissionais de beleza. Tem gente que acha que manicures e cabeleireiras são exploradoras, que cobram muito por um serviço simples. Imagina! Eu não. Elas vivem cheirando química, em péssimas condições de trabalho, postura, barulho, tudo. E pensa que é fácil mudar a cor do cabelo, ou tingir sem fazer o couro pegar fogo, ou deixar as mãos lindas e modernas de esmaltes coloridos sem um borradinho ou marquinha? É nada.
Só que estou tentando purgar o último grande gasto desnecessário. Aquela porcaria do Tabajara Juicer. Continuo fazendo sucos no liquidificador velho e trincado.
Lá em casa é assim.
- Por que tá fazendo a unha em casa? Vai se matar. Olha a sangueira.
- Pra compensar o troço de suco. Eu não pago vintão por semana de manicure e assim pago os oitenta de prestação.
- Esse é o nosso problema com finanças em casa. A lei da compensação.
- Pior é você que segue a lei da prestação.

Ele fala, mas quando comprou uma cafeteira elétrica pra sala dele na faculdade – e só depois se tocou que não tem cozinha, então tinha que encher de água, lavar e tudo no banheiro masculino, eca – também passou uns tempos maneirando nos gastos com vinho. Apesar de que vinho é remédio, né.

(a cafeteira foi doada pros alunos formandos fazerem uma rifa)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

PÁRA O BAILE

ATENÇÃO SR. NILUS QUERI, O SR. ESTÁ SENDO CHAMADO NA RECEPÇÃO.

Update: AND SEU E-MAIL NÃO BATE

Alguém aguenta ter um amigo desses? Primeiro, que a gente não se vê em carne e osso há décadas. Ou quase uma, pelo menos. Daí a gente se acostuma (ou se conforma) com a convivência virtual. Vem um dia ele avisa que largou tudo e vai fazer não-sei-o-quê na Bahia. E desaparece.

Depois de MESES faz um comentário no blog e não deixa e-mail.

Ah, faz favor.

domingo, 31 de maio de 2009

Jornalismo brando

Manchete da Folha de domingo:

"3º MANDATO DE LULA DIVIDE O PAÍS"

Fato: Segundo Datafolha aumentou de 34% para 47% aprovaçáo popular do terceiro mandato; rejeiçáo caiu de 63% para 49% (placar entáo está em 49% a 47%).

Veja a ginástica para dar uma conotaçáo negativa no título.

Só pra constar: eu sou ultra-contra terceiro mandato. A Constituiçáo náo é rascunho. Mas se você é um veículo de comunicaçáo que encomenda pesquisas, aguente o tranco da realidade ser diferente da sugestáo de pauta.